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Não desejar a mulher do próximo: o 9º mandamento

O nono mandamento, “Não desejar a mulher do próximo”, é um dos princípios fundamentais que Deus deixou para guiar a moral humana.

Mais do que apenas evitar um desejo físico, esse mandamento nos chama a refletir sobre a pureza do coração e o controle dos desejos internos, que muitas vezes vão além do que é visível aos outros.

Não cobiçar a mulher do próximo: o 9º mandamento
Não cobiçar a mulher do próximo: o 9º mandamento

O mandamento de não desejar a mulher do próximo nas Escrituras

O mandamento “Não desejar a mulher do próximo” aparece nas Escrituras, especificamente no Livro do Êxodo e no Deuteronômio.

No livro do Êxodo, é dito: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo […]” (Êxodo 20:17), reforçando que, ao se referir aos bens e à mulher do próximo, Deus está orientando sobre o desejo incontrolado.

Em Deuteronômio 5:21, encontramos uma reafirmação desse mandamento: “Não desejar a mulher do teu próximo”. Porém, o ensinamento de Jesus no Novo Testamento nos traz uma interpretação mais profunda.

Em Mateus 5:28, Jesus diz: “Mas eu vos digo que qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no seu coração, já cometeu adultério com ela”.


A lição de Jesus sobre a pureza de coração e não desejar a mulher do próximo

Aprofundando a compreensão do mandamento, Jesus não só proíbe o ato de cometer adultério, mas também a intenção impura no coração.

Ele nos ensina que a moralidade não é apenas sobre ações externas, mas também sobre a pureza do coração. O desejo impuro, ainda que não se concretize fisicamente, já é uma violação do mandamento de Deus.

Essa perspectiva de Jesus nos mostra a importância de purificar o coração, pois a luta contra a concupiscência — o desejo desordenado — faz parte da experiência humana.

O nono mandamento, portanto, nos chama a manter uma pureza de intenção e a controlar nossos desejos, não permitindo que se tornem desejos prejudiciais e desrespeitosos.


O que a Igreja ensina sobre não desejar a mulher do próximo

A Igreja Católica, ao interpretar o nono mandamento, destaca que ele não se limita à proibição de desejos externos. O foco principal é a pureza interior, que deve ser cultivada constantemente.

A Igreja ensina que devemos buscar a temperança e a castidade, virtudes que ajudam a controlar os desejos e garantir que nossas intenções sejam puras.

De acordo com os ensinamentos de Santo Tomás de Aquino, é preciso combater os desejos impuros desde o momento em que surgem. A castidade, ensinada pela Igreja, não diz respeito apenas ao comportamento físico, mas ao zelo por manter um coração puro, alinhado com os princípios de santidade.

A luta pela pureza envolve disciplina dos sentidos, da imaginação e da mente, além de buscar em oração a graça de Deus para resistir à tentação.

Para a Igreja, é fundamental que os fiéis pratiquem o pudor, que é a moderação nas relações e a preservação da dignidade humana. O pudor nos ajuda a respeitar o corpo humano, entendendo-o como um templo do Espírito Santo.

A pureza do coração é, assim, um pré-requisito para que possamos ver a Deus face a face, como nos ensina a sexta bem-aventurança: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5:8).


O combate ao desejo desordenado: A luta de Santo Tomás de Aquino contra a cobiça

Santo Tomás de Aquino, em suas reflexões sobre o nono dos 10 mandamentos, salienta a importância de não apenas evitar os pecados externos, mas também de não desejar os bens ou as pessoas do próximo.

Ele argumenta que o desejo desordenado diminui a paz interior e pode levar a muitos outros pecados, como a avareza e a inveja.

Para Santo Tomás, a concupiscência — o desejo excessivo — é um dos maiores inimigos da alma, pois faz com que a pessoa busque constantemente mais bens ou mais prazer, sem nunca alcançar a satisfação verdadeira.

Esse desejo insaciável, segundo o filósofo, perverte a justiça e enfraquece a caridade, gerando divisões no coração e distúrbios nas relações humanas.

A avareza, ou o desejo desmedido pelos bens do próximo, é vista como um pecado grave, um dos pecados mortais, pois corrompe as intenções e o propósito da pessoa.

Santo Tomás destaca que o desejo desordenado, seja pelos bens materiais ou pelas pessoas, é a causa de muitos outros males, incluindo o assassinato e o roubo, pois leva a pessoa a agir de forma egoísta, sem se preocupar com o bem-estar dos outros.


Vivendo a pureza de coração e a obediência ao nono mandamento

O nono mandamento, “Não cobiçar a mulher do próximo”, nos chama a uma reflexão profunda sobre nossos desejos e intenções. Não basta simplesmente evitar o adultério ou o comportamento imoral.

Deus nos convida a purificar nosso coração e a lutar contra os desejos impuros que surgem em nosso interior.

A Igreja, por meio de seus ensinamentos, nos guia nesse processo de purificação. A prática da castidade, do pudor e da temperança, junto com a oração e a busca pela graça de Deus, são fundamentais para que possamos viver uma vida em conformidade com a vontade divina.

E, como nos ensina Santo Tomás de Aquino, é na luta contra a concupiscência que encontramos a verdadeira paz interior e a harmonia com o próximo.

Em nossa caminhada cristã, devemos sempre lembrar que a pureza do coração é um caminho de santidade. Ao seguir o nono mandamento, não apenas evitamos o pecado, mas também nos aproximamos de Deus, refletindo em nossas atitudes o Seu amor e respeito por todos os seres humanos.

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